Recadinhos deixados

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17 de abril de 2007

BOTAFOGO NO CORAÇÃO!!!



Achava inexplicável a razão do meu time ser Botafogo...
Até que meu pai resolve escrever a crônica abaixo...

ENTENDI TU-DOOOOOO!!!!!



"Tenho meus rituais. Não me julgo um doente nessa área, tenho amigos piores,
mas normal, normalzinho, sei que não sou.
Meu saudoso pai tinha e, claro que me transferiu um pouco, aquilo que hoje é comumente
chamado de TOC, o tal transtorno obsessivo-compulsivo.
O homem era tão doidinho que me levava ao Maracanã, em jogos decisivos e, quase todos o
eram, numa época em que se colocavam, lado a lado, nas arquibas, uma cem mil criaturas.
Lata de sardinha perde!
Um sujeito com a hoje famosa síndrome de pânico não resistiria nem os primeiros
dez minutos de contenda. E um claustrofóbico?
Claro que um homem desses só poderia ser botafoguense e, lá íamos nós assistir ao
Glorioso, nos idos da década de 60, timaço imbatível, pras famigeradas arquibancadas.
Chegávamos invariavelmente no intervalo dos jogos de aspirantes, categoria hoje
não mais existente, tudo pra nos sentarmos bem e dar sorte, lógico.
Sabe-se lá por que, mas era assim que ele entendia.
Fosse o adversário a Portuguesa ou o Vasco, lá estávamos.
E, ai de quem sentasse perto! Ninguém podia tocá-lo o jogo todo.Pedir um sorvete era uma
novela mexicana.Se o pobre sorveteiro ao devolver o troco, encostasse em sua mão, levava
imediatamente três tapinhas nas costas, para absorver o prejuízo de tê-lo tocado.
Podia ser em qualquer parte do corpo, mas tinham que ser três, aquilo neutralizava a má sorte,
até por que seu sinônimo não podia jamais ser mencionado. Aquele nome , de jeito nenhum!
Eis-nos numa bela e escaldante tarde de domingo a assistir a um jogo entre o eterno freguês , o
Flamengo ( depois a estatística mudou, mas isto é outro papo) e o Glorioso alvinegro de General Severiano.
A esta altura, ainda garotinho, mas já doente de paixão clubística, me posiciono a seu lado, sem
poder tocar-lhe os joelhos de forma alguma- ih, isto era briga certa!-, estádio ainda não muito
cheio, intervalo da preliminar, placar Botafogo 3x0. Tudo normal.
Eu, todo encolhido, pra não tocar no velho, espremendo o que viriam a ser minhas bolas.
Estádio enchendo, vinte minutos do segundo tempo, mesmo placar, tranqüilo.
De repente uma manada invade o Maraca, percebo um tanto preocupado que, em cada cem
torcedores , uns setenta vestiam a irritante camisa adversária. O público começa a urrar , à
medida que vai crescendo.......3x1. Ai, caceta!
Uma ensurdecedora gritaria e olha que era apenas o jogo dos pobres aspirantes, pronto:3x2.
Anos depois percebi que, quando o Botafogo se encontra numa situação como esta, invariavelmente tomava o terceiro gol.
Aqui, já não cabia mosca no estádio.
Passa um senhor por mim, pra se sentar ao meu lado. Se joelho toca o meu, o velho percebe e,
imediatamente, troca de lugar comigo, de forma ostensiva .A cada involuntário toque em suas
pernas, seguiam-se três nas do coitado homem. Vai ver o cara até pensou: esse coroa deve ser viado!
Finzinho de jogo, claro, 3x3. Desde então, aprendi a odiar e respeitar aquela torcida e o tal manto rubro-negro.
Meu pai passou o jogo principal inteiro me culpando. Como eu não dera de cara três toques
naquele idiota desavisado? Segundo meu velho, só podia ser um flamenguista infiltrado na galera alvinegra.
Pelo menos, acabamos ganhando o jogo principal.


Digo tudo isto a propósito desse fatídico empate em 2x2, finalíssima do recente Campeonato
Estadual de 2007 em que, se fosse por pontos corridos, já seriamos campeões. Isto, claro, que
sempre com a inestimável ajuda do juiz e dos tais deuses flamenguistas.
Eu, em casa, empalhado de tão quieto, assistindo pela TV, num frio de rachar por que não
achei prudente mexer no ar condicionado, de modo a não desregular a sorte.
Ai, meu Deus, um time muito superior a outro em dois jogos seguidos, não resolve a
parada e, socorro! vamos pros pênaltis. Duro ser botafoguense!
Nisso, reparo que a besta da minha empregada - claro que flamenguista - , a pretexto, de
limpar,havia tirado da posição em que meticulosamente sempre coloco , três pequenas
imagens de Nossa Senhora de Lourdes, duas de frente pra mim e uma virada para
a televisão em dias de jogos importantes.
Ia demorar pra começar a sessão de pênaltis. Levanto-me, faço um pipi,
amaldiçôo a pobre criatura e....hesito.
Devo ou não colocá-las na minha posição preferida? Afinal, não tínhamos perdido.
Falta pouco...
Os pênaltis serão cobrados...
O goleiro do outro time se encaminha para debaixo de suas traves.
Nosso atacante vai andando, cabeça baixa. Já não gostei.
Subitamente bate uma daquelas certezas. Tenho que ser rápido e imediatamente
colocar isto do jeito que deve ser.
Levanto, arrumo com todo o cuidado as três imagens da santa.
Rezo um pouco. Faço minhas pequenas macumbas pessoais.
O goleiro deles defende.........................merda, merda!
Tudo bem, o atacante rubronegro vai errar. Gol.
Novo pênalti pro Fogão e nosso capitão que tem um petardo.......claro que vai ser gol.
Olho firmemente não para o aparelho, mas para minhas imagens, não quero nem
ouvir nada que não seja gol. Só ouvir, não quero ver.
Pô, não é que o cara defende, no susto, uma tremenda porrada desferida
pelo bravo zagueiro alvinegro!
Bom, agora , se eles fizerem, eu vou tomar um Rivotril. Um não, logo dois,
pra não ouvir a turba e o buzinaço. Melhor tomar o primeiro logo! Tomei rápido.
Gol...e logo a seguir, o Botafogo havia perdido um dos campeonatos mais fáceis
dos últimos tempos e, pior dos mundos, para quem?
Apaguei, graças aos céus!
Dia seguinte, ao acordar, a clareza celestial e definitiva me vem a mente.
Como perdemos, meu Deus ? Confesso que me sentindo ainda confuso e algo
blasfemo, uma voz lá de dentro não parava de sussurrar: cara, também, quem
mandou acreditar em Nossa Senhora, seu imbecil!
Dois dias se passaram. Não acredito! Descobri! Não podia era ter tomado o
Rivotril, claro que eles teriam perdido todos os pênaltis.........
No terceiro dia após a catástrofe, bateu: eu devia era ter mexido na temperatura do ar!"

(Victor Nuno)





SER BOTAFOGO...

Para ser Botafogo, tem que ter personalidade forte
para não ser mais um na multidão.

Precisa ter garra, força de vontade
e acima de tudo paixão.

Asssim é o botafoguense:
Ele não sofre, se purifica.

Os invejosos desafiam,
dizem que os alvinegros são poucos...
Equívoco deles, somos relíquias.
E preciosidade não se encontra nos botecos de esquinas.

Tanto faz, se as outras torcidas são maiores que nós.
Nós, alvinegros, somos a Nata.
Somos selecionados.
Separadamente, assim como o joio e o trigo.

Porque torcer pelo Botafogo é um privilégio.
Somos acostumados a espetáculos e grandes craques,
gênios como: Garrincha, Jairzinho, Didi,
Amarildo, Heleno, Marinho...

É melhor parar por aqui, por respeito as limitações alheias.
Afinal de contas, o Botafoguense, é fino, educado e inteligente.

Mas para tudo isso, tem uma resposta simples...

...para vc SER BOTAFOGUENSE, você não escolhe,
você NASCE BOTAFOGUENSE.

Por isso somos a torcida mais apaixonada e fiel.




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3 comentários:

victor disse...

minha filha linda, que bonitinho vc ter publicado aquela croniqueta alvinegra.
te amo, bjs, teu pai.

Anônimo disse...

Que texto lindoooooo!
Quem é o autor??
Dá-lhe Fogãooooooooooooo

Lucas disse...

Simplesmente demais!
Duas obras admiráveis, assim como o motivo delas!
Isso é Botafogo!